Monday, November 3, 2008

É uma pena.

Pára. Não sou o mapa das tuas férias, onde riscas uns quaisquer planos confusos. Não sou o teu fim-de-semana. Não sou o sofá quente onde descansas depois de um duro dia. Não sou a cama lavada onde te recompões. Chega. Não irei ser mais o fundo do vaso quebrado, onde terra limpa não chega. Não irei, nunca mais! Não olharás de novo para mim com aquele olhar de mesericórdia, onde um pedido de desculpas é censurado e a razão camuflada prevalece sobre qualquer hipocrisia.
Pensa. As chapadas sem mão aleijam, e não é pouco. As costas doem-me, tenho os pés cansados, fartos, aborrecidos de tanto andar atrás da tua sombra. Não quero. Não quero ser o escape, não quero um beijo fugaz, nem sequer um abraço mal dado. Não quero um amor cansado. Não quero uma paixão farta.
É pouco. Tudo é pouco. É pouco o que me dás, é pouco o que me ensinas, tiras mais de mim do que tenho, deixas-me menos do que preciso. É pouco. É escasso o teu amor, é escasso o teu fervor, é escasso o colo que já nem reconforta. É escassa a essência de éramos feitos...
Lembras-te?
Éramos jovens, razões triviais, éramos quentes e apaixonados; cúmplices e enamorados. Éramos nós...
Vai-te embora, sai daqui. Não batas com a porta, porque o barulho incomoda-me. Não me pises, não grites, não chores. Simplesmente sai, do jeito mudo como aquele com o qual me ensinaste a viver. Shiu! Não fales. Hoje decidi eu o que quero. E o que eu quero não és tu. Já quis...
Lembras-te?
Procurei-te incansavelmente. Corri pelas dunas, molhei-me com a chuva, queimei-me com o sol, mas tive-te. Eras meu. Quis-te.
Agora, sai!

1 comment:

Maria said...

Enfim, isto abre os olhos a muito boa gente...